

"Escrevo porque não tenho os olhos verdes". Foi Lúcio Cardoso quem certa vez deu esta resposta numa entrevista. N ão é o meu caso, evidentemente- se bem que eu também não tenha.
Assim começa o meu livro favorito "O TABULEIRO DE DAMAS", do fernando Sabino. Presente da minha mãe na primeira vez que ela veio me visitar depois de eu me mudar pra BH. Desde então,tem sido meu livro de cabeceira e que eu já sei quase de cor. O Fernando Sabino viveu aqui em Belo Horizonte histórias divertidíssimas ao lado dos amigos inseparáveis: Otto Lara Resende, helio Pellegrino e Paulo Mendes Campos ( se vc não sabem que são, pelo amos de Deus, vá procurar saber...) Daí que vem o "NÃO ANALISA, NÃO!", que eu tb incorporei aos meus discursos... Funciona assim: é uma espécie de palavra de ordem... sempre que um desses amigos propusesse alguma coisa, por mais absurda que fosse, tinha que ser aceita, sem argumentação, e isso era levado a sério entre eles: quem analisasse a questão seria considerado "burguês, reacionério, quadrado, escravo de preconceitos". E assim, num dos episódios narrados no livro, Sabino e Paulo mendes campos passaram a noite toda estudando Anatomia com o Hélio, que na época fazia Medicina e mais tarde tornou- se famoso psicanalista.
Estou contando essa historia pra falar da amizade e da beleza que existe nos pequenos gestos, nada melhor que uma amizade que durou mais de meio século pra exemplificar isso.... O livro fala de outras coisas que depois vou contar. Quem tiver oportunidade leia. É um livro leve, fino e divertido. Narração inteligente e gostosa, presença marcante nas obras de Sabino.
Tá. Começo a explicar pelo nome que escolhi pro Blog... (Eu que nunca fui lá muito ligada nessas coisas de Internet to entrando nessa Viagem...)
Sempre ouvi do Chico Buarque OS SALTIMBANCOS. A bem da verdade é que de uns tempos pra cá comecei a gostar muito do jeito dele escrever e cantar. Mas entre tantas, essa história de "com açúcar e com afeto fiz seu doce predileto, pra você parar em casa", que foi uma música encomendada pela Nara Leão, sempre me deixou de água na boca. A moça, na minha sempre singela interpretação, ama o marido que vive fora de casa, boêmio que só ele, malandro mesmo, e ela fica lá trancada esperando receber um pouquinho de atenção.
Aí pensei logo nisso na hora de colocar um nome aqui...Talvez por identificação, mais por pena da mulher ou só pq acho a sonoridade bonita mesmo...
Agora desse blog eu só sei do nome e da vontade de levá- lo a sério, Vamos ver o que acontece, o que me espera...