

Na infancia, segundo minha mae, eu tinha medo de lesmas e de cortar as unhas. "Minhas forças estao nas unhas, Mãe, quando corta eu fico fraca", esperneava, igual a história de Sansão. A minha mãe dizia "Se não cortar, vai ficar igual a João Feupudo", que era um homem horroroso, sujão, de unhas grandes, fedorento, que andava todo esquisito, fazendo "Huuuuu....". Nunca tomava banho e tinha o cabelo todo sarará... pelo menos era assim na minha imaginação. Eu tinha era medo de ficar igual a João Feupudo! Acabava cortando as unhas...
Lembro de outros medos, mais bobos até que esses, se isso seria possível. Uma vez eu estava distribuindo aqueles panfletos, sabe, de missa quando de repente os folhetos (esse é o nome certo) caíram no chão e todo mundo olhou pra mim. Minha reação?! Saí correndo pra perto da minha mãe e comecei a chorar. Chorei, chorei. Dizem que eu era muito chorona. E pirracenta. Meu maior medo desde então foi deixar os folhetos caírem de novo!
Mas aí eu cresci e os meus medos mudaram. Eu não tenho mais medo de lesmas e até gosto de fazer as unhas, embora tenha pavor de distribuir papéis, de qualquer tipo. Hoje tenho mesmo é medo de não ser jornalista, de não ter emprego. Medo de passar vergonha, ser assaltada. Medo de telefone que toca de madrugada. Da luz acabar. Medo da água acabar. Morro de medo de não casar, de não ter filhos. Medo de entrevistas de emprego. Medo do meu pai ou da minha mãe morrerem. Pavor a morrer queimada ou congelada. Medo de ficar sozinha, longe das pessoas que eu amo. Medo de esquecer das coisas realmente importantes, medo de não encontra meu grande amor, nestte mundo tão grande!
"Não prometo que vc vai gostar...o que posso garantir é que, salvo o papel (de pão) o material é de primeira qualidade! mas a intenção é boa...pra vc lembrar de mim, pelo menos de vez enquando!
P.s: não precisa nem dizer que era o que estava escrito no papel laranja, né?!
De que me adianta viver na cidade se a felicidade nao me acompanhar?!
Voltar pra BH depois desses dias é tarefa difícil, principalmente porque deixei pra trás a parte de mim que eu mais gosto. Cada pessoa que eu despeço leva consigo um pedacinho (bom) de mim. Então, cá estou eu, faltando pedaços, mais ou menos pronta pra voltar a rotina.