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	<title>Com A&#231;&#250;car e com Afeto</title>
	<subtitle type="html">Divertido e s&#233;rio, meio simples, meio confuso, F&#250;til e necess&#225;rio, Feliz e triste, Bonito e feio, legal e chato, Inteligente e idiota. Ef&#234;mero e Eterno</subtitle>
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	<tagline>Divertido e s&#233;rio, meio simples, meio confuso, F&#250;til e necess&#225;rio, Feliz e triste, Bonito e feio, legal e chato, Inteligente e idiota. Ef&#234;mero e Eterno</tagline>  
	   
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		    <title type="text/plain" mode="xml">2008</title>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">A CICARELLI LIGOU</title>
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		    <updated>06.02.08 15:59:34</updated>
		    <published>17.08.07 15:15:12</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Carta Capital Edi&#231;&#227;o 399 por Ana Paula Sousa A modelo sugere uma pauta para a revista ccapa A fera, a bela, a cool. &#8230;Daniella investe Opini&#227;o. Primeiro, chega um e-mail com o assunto &#8220;Cicarelli&#8221;. Meia hora depois, toca o telefone. Do outro lado da linha, apresenta-se Camilo Corsaletti: &#8211; Tudo bom? Sou assessor de Daniella Cicarelli. &#8211; Pois n&#227;o. &#8211; Ent&#227;o, a Daniella adora a CartaCapital e a gente queria pensar numa pauta para a revista. Uns poucos segundos de sil&#234;ncio s&#227;o quebrados pelo pr&#243;prio Corsaletti. Ele cita as qualidades da cliente e sugere uma reportagem sobre o comportamento dos jovens. O &#8220;gancho&#8221;, explica, seria o programa Beija Sapo, que a modelo apresenta na MTV. Ao notar que a sugest&#227;o n&#227;o empolga, larga as meias palavras: &#8211; Que tipo de mat&#233;ria com a Daniella poderia te interessar? &#8211; Talvez uma conversa franca sobre o mundo das celebridades. Corsaletti promete consultar a cliente. Telefonema vai, telefonema vem, um m&#234;s depois ele prop&#245;e uma data e garante: &#8211; Voc&#234; n&#227;o vai se arrepender. Ela tem id&#233;ias &#243;timas. Daniela recebe CartaCapital numa &#225;rea reservada a visitantes no pr&#233;dio-fortaleza em que vive, perto do Parque do Ibirapuera, em S&#227;o Paulo. Cal&#231;a jeans, camisa e Havaianas, mostra-se simp&#225;tica. E direta: &#8211; O Camilo me disse que pode ser que nem saia nada. Se sair mat&#233;ria, eu vou dizer: &#8220;Que bacana&#8221;. Se n&#227;o sair, vou saber que n&#227;o consegui dizer nem uma linha que interesse para a sua revista. Despachada, sorriso largo, Daniella parece disposta a falar. A busca por CartaCapital faz parte de uma estrat&#233;gia que, na publicidade, se chama de &#8220;reposicionamento de marca&#8221;. Depois do tumultuado casamento rel&#226;mpago com Ronaldo, Daniella perdeu a gra&#231;a para as revistas de celebridades e viu os contratos publicit&#225;rios escassearem. Seu prop&#243;sito, agora, &#233; investir na carreira de apresentadora de tev&#234; e mostrar que nem s&#243; de beleza &#233; feita. Mas, ao responder &#224; primeira pergunta da entrevista, atesta outras raz&#245;es: &#8211; Por que te procurei? N&#250;mero 1: &#233; uma revista que eu leio. N&#250;mero 2: as celebridades aparecem sempre nos mesmos lugares e eu acho isso tudo meio f&#250;til. E mostra ter o texto na ponta da l&#237;ngua: &#8211; &#201; uma curiosidade minha ver como a CartaCapital trataria esse assunto. Acho bacana ser analisada pela &#243;tica da Carta, que, com certeza, n&#227;o &#233; a da Quem. Voc&#234; n&#227;o vai perguntar quem me deu esse rel&#243;gio. Do mesmo jeito que tem gente mesquinha, tem revista mesquinha. Acho tamb&#233;m que voc&#234; n&#227;o vai dizer que eu sou &#8220;algu&#233;m que as mulheres invejam e os homens desejam&#8221;. P&#233;ssima essa frase, n&#227;o? Daniella parece ter senso cr&#237;tico. E fala &#224; be&#231;a. Foram, ao todo, quase tr&#234;s horas de conversa. Antes de chegar aonde interessa, fala-se de esporte, homens, comida e beleza. Abre-se ent&#227;o espa&#231;o, n&#227;o sem recuos, offs e evasivas, para o avesso do mundo das celebridades. Com cuidado, Daniella mostra como v&#227;o sendo angariados, dia ap&#243;s dia, os tijolos de espuma usados na constru&#231;&#227;o dos edif&#237;cios em que ficam os famosos. &#8211; O grande golpe, hoje, n&#227;o &#233; o golpe do ba&#250;. &#201; o golpe publicit&#225;rio. Eu poderia estar aplicando esse golpe na Copa. Voc&#234; imagina quanto eu poderia contabilizar com a Copa? N&#227;o. A imagina&#231;&#227;o dos publicit&#225;rios e dos promoters supera a dos jornalistas. &#8211; Um quer ganhar em cima do outro. O que me chamaram para fazer na Copa &#233; inacredit&#225;vel. Al&#233;m de publicidade, de andar por a&#237; com camiseta da Sele&#231;&#227;o, me convidaram, por exemplo, pra ir a uma superfesta da Sele&#231;&#227;o na Alemanha. A&#237;, pronto, j&#225; teria aquela manchete: &#8220;Daniella aparece na festa e causa saia-justa&#8221;. &#201; tudo contabilizado nesse meio. Isso, Daniella n&#227;o quis. Mas na semana em que seu ex estreava, capenga, na Alemanha, ela surgia em grandes outdoors anunciando, com uma tarja preta, uma marca de lingerie. Quer se livrar da imagem da jovem oportunista, da &#8220;bruxa&#8221; que expulsou uma convidada do casamento, mas n&#227;o dispensa bons neg&#243;cios: &#8211; &#201; claro que gosto de ganhar dinheiro. Mas sempre penso no custo moral do dinheiro. Essa conta s&#243; cabe a ela fazer. &#8211; Tem comercial de varejo que eu vou l&#225;, abro aquele sorriso de &#8220;nossa, como eu t&#244; feliz com essa compra&#8221;, e pronto. Se me contratam para participar de uma corrida, cobro menos do que se for pra ir a uma festa, mesmo que seja para uma passadinha de dez minutos. Segue um aviso para quem cr&#234; que Daniella seja festeira: &#8211; Sempre que eu vou a uma festa &#233; por uma raz&#227;o comercial. Voc&#234; nunca vai me ver fotografada numa festa de amigos, porque meus amigos de verdade n&#227;o s&#227;o famosos. Nessas &#8220;presen&#231;as&#8221;, vou l&#225;, tiro uma foto do lado de n&#227;o sei quem, fico o tempo que tem de ficar e vou embora. Tenho duas vidas, uma bem diferente da outra. &#201; claro que eu gosto desse lado &#8220;glam&#8221; tamb&#233;m. Se n&#227;o gostasse, tinha ido fazer faculdade de direito pra virar advogada. Mas o lado &#8220;glam&#8221; &#8211; o &#8220;glamour&#8221;, entre seus adeptos, ganhou esse apelido carinhoso &#8211; tem seu lado &#8220;trash&#8221;, para continuar nas express&#245;es &#8220;in&#8221;: &#8211; Teve momentos em que eu era o &#8220;&#243;&#8221;, p&#233;ssima, e outros em que era &#8220;uau!&#8221;, o m&#225;ximo. Depois do &#8220;uau&#8221;, nossa senhora, me trataram como sei l&#225; o qu&#234;. N&#227;o s&#243; eu. Minha fam&#237;lia toda ficou exposta. Era horr&#237;vel minha m&#227;e me ligar chorando. Enfim, mantive o que eu achei que deveria manter. No meio do caminho, havia uma pedra, mas havia tamb&#233;m uma possibilidade de carreira: apresentadora de tev&#234;. &#8211; Fui trabalhar com um p&#250;blico adolescente, que estava se lixando para o que as revistas de fofoca diziam. O que me mantinha em p&#233; &#233; que, entre o c&#233;u em que tinham me colocado e o inferno em que eu estava, alguma outra coisa tinha de existir. Neste momento, estou nisso, nem no c&#233;u nem no inferno. O desejo de ser reconhecida e definida como apresentadora aparece numa pergunta boba: como ela preenche uma ficha de hotel? &#8211; Sempre coloquei estudante, sabe? De um ano pra c&#225;, comecei a escrever apresentadora de tev&#234;. &#201; essa minha profiss&#227;o. Mas os cifr&#245;es da publicidade e as p&#225;ginas &#8220;glam&#8221; da imprensa ainda s&#227;o fundamentais: &#8211; Pra algumas coisas, &#233; quase imposs&#237;vel dizer n&#227;o. Se eu estr&#233;io uma propaganda e sai uma foto na revista de celebridades, o anunciante fica feliz da vida e me chama de novo. &#192;s vezes, isso est&#225; no contrato. Tamb&#233;m pode estar no contrato a exig&#234;ncia de fazer coletiva de imprensa, porque a&#237; o anunciante ganha m&#237;dia espont&#226;nea. Como j&#225; te disse, tudo nesse mundo &#233; contabilizado. Tudo mesmo. Contabilizado e negociado. &#8211; Tem assessor que vira celebridade, tem assessor que negocia mat&#233;ria prometendo uma exclusiva com fulano se publicarem uma notinha de outro cliente seu, menos famoso. Na &#233;poca da separa&#231;&#227;o, se eu tivesse mostrado a minha casa, talvez dissessem que eu moro num lugar &#8216;lindo e maravilhoso&#8217;, em vez de me chamar de oportunista. Enfim, n&#227;o posso apedrejar a imprensa, at&#233; porque preciso dela. Daniella fecha assim o ba&#250; em que guarda as observa&#231;&#245;es mais agudas. Aos 27 anos, parece ter entendido algumas coisas: &#8211; Sou um produto que a m&#237;dia consome. Na verdade, eu posso ser muito melhor ou muito pior do que o que aparece por a&#237;. &#192;s vezes, sou a bonita e burra, outras vezes, a interesseira. Se isso me incomoda? Sim, mas j&#225; incomodou mais. Tamb&#233;m aprendi que a beleza cansa. Quando um homem te quer s&#243; pela beleza, ele vai enjoar de voc&#234;, como enjoa do carro que ele acha lindo quando compra. &#201; tudo sonho de consumo. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">continuando...PARTE3</title>
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		    <updated>17.08.07 15:12:15</updated>
		    <published>17.08.07 15:12:15</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Ao terminar de l&#234;-lo, eu mesmo quase n&#227;o acreditei: ele resume em m&#243;dicos 21 par&#225;grafos tudo o que gostaria de escrever sobre o tema imprensa &#8211; para o ano que vem e para todos os outros anos. Como os jovens editores desta respeit&#225;vel revista n&#227;o ter&#227;o coragem de cortar Garc&#237;a M&#225;rquez, reproduzo alguns deles: &#8220;(...) Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um af&#227; de protagonismo prima sobre a voca&#231;&#227;o e as aptid&#245;es naturais. E em especial sobre as duas condi&#231;&#245;es mais importantes: a criatividade e a pr&#225;tica. (...) Alguns se gabam de poder ler de tr&#225;s para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar di&#225;logos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como not&#237;cia uma conversa que de antem&#227;o se combinara confidencial. O mais grave &#233; que tais atentados contra a &#233;tica obedecem a uma no&#231;&#227;o intr&#233;pida da profiss&#227;o, assumida consciente e orgulhosamente fundada na sacraliza&#231;&#227;o do furo a qualquer pre&#231;o e acima de tudo. Seus autores n&#227;o se comovem com a premissa de que a melhor not&#237;cia nem sempre &#233; a que se d&#225; primeiro, mas muitas vezes a que se d&#225; melhor (...) Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorr&#234;ncia feroz da moderniza&#231;&#227;o material e deixaram para depois a forma&#231;&#227;o de sua infantaria e os mecanismos de participa&#231;&#227;o que, no passado, fortaleciam o esp&#237;rito profissional. As reda&#231;&#245;es s&#227;o laborat&#243;rios ass&#233;pticos para navegantes solit&#225;rios, onde parece mais f&#225;cil comunicar-se com os fen&#244;menos siderais do que com o cora&#231;&#227;o dos leitores. A desumaniza&#231;&#227;o &#233; galopante. (...) &#8216;Nem sequer nos repreendem&#8217;, diz um rep&#243;rter novato ansioso por ter comunica&#231;&#227;o direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paiz&#227;o s&#225;bio e compassivo, mal tem for&#231;as e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia. A pressa e a restri&#231;&#227;o de espa&#231;o, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de g&#234;nero mais brilhante, mas que &#233; tamb&#233;m o que requer mais tempo, mais investiga&#231;&#227;o, mais reflex&#227;o e um dom&#237;nio certeiro da arte de escrever. &#201;, na realidade, a reconstitui&#231;&#227;o minuciosa e ver&#237;dica do fato. Quer dizer: a not&#237;cia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conhe&#231;a como se tivesse estado no local dos acontecimentos (...)&#8221; Nem sei se mestre Garc&#237;a M&#225;rquez conhece a imprensa brasileira. Mas o seu exemplo, ao criar a Funda&#231;&#227;o do Novo Jornalismo Ibero-Americano, em Cartagena das &#205;ndias, na Col&#244;mbia, onde um grupo de veteranos jornalistas independentes promove oficinas para ensinar na pr&#225;tica o of&#237;cio a jovens profissionais, bem que poderia inspirar os pais da m&#237;dia daqui. De nada adianta colocar a culpa de todos os nossos males na falta de grana ou na qualidade da forma&#231;&#227;o recebida pelos novos jornalistas nas escolas. Jornalismo sempre aprendemos na reda&#231;&#227;o, no dia-a-dia do trabalho, com aqueles que chegaram antes de n&#243;s. Agora, para terminar mesmo, fica mais uma pergunta: temos hoje na grande maioria das nossas reda&#231;&#245;es profissionais habilitados a faz&#234;-lo, como eu tive quando comecei? A resposta a essa pergunta t&#227;o singela pode ser uma boa pista para que a nossa imprensa entre em 2005 com o p&#233; direito, contempor&#226;nea do mundo e do momento de mudan&#231;as que o Pa&#237;s vive. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">continuando...PARTE2</title>
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		    <updated>17.08.07 15:11:35</updated>
		    <published>17.08.07 15:11:35</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Urge descentralizar recursos, pautas e bons profissionais para produzir um notici&#225;rio que n&#227;o seja repeti&#231;&#227;o do que as r&#225;dios, as tev&#234;s e os sites e blogs j&#225; informaram no dia anterior. Temos hoje um congestionamento de bons e caros jornalistas em Bras&#237;lia, enquanto regi&#245;es inteiras do Pa&#237;s continuam absolutamente virgens nas p&#225;ginas impressas. Num pa&#237;s do tamanho do nosso, a m&#237;dia impressa ser&#225;, como j&#225; foi, um instrumento vital para a integra&#231;&#227;o nacional, se democratizar as informa&#231;&#245;es e abrir espa&#231;o para not&#237;cias de e para o Brasil. Os meios eletr&#244;nicos jamais acabar&#227;o com os impressos, desde que esses, sem trocadilho, descubram qual &#233; o seu papel na hist&#243;ria. R&#225;dios, tev&#234;s e jornais t&#234;m naturezas diferentes, sim, mas a mat&#233;ria-prima de todos os ve&#237;culos &#233; a mesma: a not&#237;cia ou a reportagem trazida por um profissional competente, que surpreende o fregu&#234;s, prende sua aten&#231;&#227;o, garante sua fidelidade. Para isso, &#233; preciso que a m&#237;dia impressa deixe de lado suas teses pr&#233;-fabricadas em reuni&#245;es de pauta e inverta de novo o processo. Ou seja, que seja capaz novamente de descobrir e trazer not&#237;cias, tend&#234;ncias e novos personagens da rua para a reda&#231;&#227;o, e n&#227;o encarregando seus pobres rep&#243;rteres de buscarem aspas, se poss&#237;vel por telefone, para justificar suas maravilhosas teses. Isso n&#227;o depende s&#243; de dinheiro, mas de tes&#227;o para virar o jogo diante de uma torcida cada vez mais exigente. Tem muita gente ainda usando sua agenda de fontes e card&#225;pios de pautas da d&#233;cada passada, do s&#233;culo passado, sempre as mesmas. Os mais diversos setores da economia brasileira est&#227;o passando deste ano para o pr&#243;ximo em pleno ritmo de crescimento, com investimentos em todas as &#225;reas, gerando novos empregos e buscando novos mercados mundo afora num ambiente ao mesmo tempo de estabilidade e retomada do desenvolvimento. Claro que isso vai gerar tamb&#233;m maior volume de recursos para a m&#237;dia, &#224; medida que a concorr&#234;ncia crescente exigir&#225; maiores investimentos em publicidade. A roda voltou a girar e a m&#237;dia, com poucas e honrosas exce&#231;&#245;es, parece ainda n&#227;o ter-se dado conta disso. Nas minhas quatro d&#233;cadas de jornalista, completadas em outubro, j&#225; vi a imprensa brasileira passar por v&#225;rios ciclos, por altos e baixos, com ve&#237;culos subindo ou descendo no ranking de circula&#231;&#227;o e prest&#237;gio, publica&#231;&#245;es abrindo ou fechando, mas nunca a vi t&#227;o acomodada como agora, t&#227;o indiferenciada, t&#227;o conformada com a ladainha do &#8220;falta grana&#8221; para fazer coisa melhor. Se falta, e n&#227;o duvido que falte, &#233; mais um motivo para ir &#224; luta e buscar caminhos capazes de descobrir onde est&#225; a grana nova, em lugar de chorar a que foi perdida. Aprendi isso com um veterano amigo, o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, 90 e tantos anos, que nunca se contentou com o que tinha. Repetia sempre uma frase atribu&#237;da a Nabantino Ramos, um dos ex-propriet&#225;rios da Folha, mas que, desconfio, seja dele pr&#243;prio: &#8220;&#201; simples: um bom jornal se faz com bons jornalistas&#8221;. A cada ano, queria fazer um produto melhor e, para isso, dizia, precisamos ter, cada vez mais, melhores jornalistas. Por qu&#234;? Segundo as previs&#245;es dele, feitas ainda em meados dos anos 1980, em cada grande cidade s&#243; sobreviver&#225; um grande jornal. &#8220;Vamos trabalhar para que seja o nosso&#8221;, desafiava. Se todo mundo pensar assim, com essa garra, certamente as coisas v&#227;o melhorar &#8211; para os ve&#237;culos e para os profissionais do nobre ramo da informa&#231;&#227;o. Acredite quem quiser: j&#225; estava encerrando este artigo por aqui, dentro do espa&#231;o que me deram, quando me caiu nas m&#227;os, enviado pelo amigo rep&#243;rter Ilimar Franco e trazido por minha mulher, a Marinha, um texto do Gabriel Garc&#237;a M&#225;rquez com um t&#237;tulo t&#227;o sugestivo quanto verdadeiro, pelo menos para mim: &#8220;Jornalismo: a melhor profiss&#227;o do mundo&#8221;. </content>
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		    <updated>17.08.07 15:10:59</updated>
		    <published>17.08.07 15:10:59</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Vamos tentar entender o que aconteceu, ainda antes do advento da TV a cabo, da internet, da telefonia privatizada e de tantos outros sorvedouros de d&#243;lares que levaram a m&#237;dia em geral &#224; atual situa&#231;&#227;o de pen&#250;ria. Nos longos tempos da censura dos militares, que n&#227;o deixaram nenhuma saudade, a imprensa n&#227;o podia falar de pol&#237;tica, do que acontecia nos gabinetes dos generais em Bras&#237;lia, do poder, enfim. Em compensa&#231;&#227;o, abria espa&#231;o para se tratar de qualquer outra coisa, de &#237;ndios a garimpeiros, de sem-terra a sindicatos, de igrejas a lupanares, de novas fronteiras agr&#237;colas a novas tend&#234;ncias da cultura, e de personagens at&#233; ent&#227;o desconhecidos, como Chico Mendes. Todos os grandes ve&#237;culos se orgulhavam de suas generosas equipes de sucursais e correspondentes, que enviavam not&#237;cias e reportagens de todos os muitos Brasis que aqui coabitam. Apesar da censura, cada jornal ou revista era capaz de surpreender seus leitores com revela&#231;&#245;es, novidades, pessoas e lugares estreantes no notici&#225;rio. Por isso, ao contr&#225;rio do que acontece hoje, eram diferenciados, cada um tinha sua pr&#243;pria cara, seu car&#225;ter &#250;nico em lugar do pensamento &#250;nico vigente. Por isso, tamb&#233;m, ao contr&#225;rio do que acontece hoje, o telejornalismo vinha a reboque da m&#237;dia impressa. Hoje, o &#250;nico ve&#237;culo que faz uma cobertura verdadeiramente nacional, com equipes de jornalistas em praticamente todas as regi&#245;es do Pa&#237;s, &#233; a TV Globo, com suas afiliadas. O restante limita-se a cobrir o que ocorre nas principais cidades e nos seus arredores mais pr&#243;ximos, de prefer&#234;ncia sem tomar sol ou chuva, sem sair da reda&#231;&#227;o. J&#225; escrevi alguma vez que, se amanh&#227; cortarem os telefones e a internet das reda&#231;&#245;es, n&#227;o tem jornal no dia seguinte. O que aconteceu? Em qualquer reda&#231;&#227;o de m&#237;dia impressa, hoje, &#224;s 8 da noite, nenhum editor se arrisca a perder o notici&#225;rio do Jornal Nacional. Em lugar da reportagem, ganharam espa&#231;o colunistas de todo tipo, lavradores de &#8220;bastidores&#8221; e notas plantadas, esta praga que levou o Elio Gaspari a constatar que a imprensa brasileira tem mais colunas do que a Gr&#233;cia Antiga. &#201; uma deforma&#231;&#227;o que levou os jornais &#8211; n&#227;o s&#243; os tr&#234;s grandes, de circula&#231;&#227;o nacional, mas tamb&#233;m os principais ve&#237;culos regionais, que reproduzem as mesmas colunas &#8211; a se parecerem a cada dia mais uns com os outros. Se algu&#233;m pegar um avi&#227;o em Porto Alegre para ir a Manaus, e receber jornais novos em cada escala, vai achar que j&#225; leu tudo antes. O mesmo acontece com as semanais de grande circula&#231;&#227;o e pequena criatividade, que alternam os temas de suas capas (sa&#250;de, sexo, comportamento, dietas, religi&#227;o, a nova mulher, o novo homem, o salto no futuro e, vez ou outra, um dossi&#234; &#8220;explosivo&#8221; ou uma fita &#8220;exclusiva&#8221;), fazendo a gente pensar que j&#225; viu aquilo em algum lugar no ano passado. Quanto mais reformas gr&#225;ficas e editoriais fazem, mais todos se parecem. O grande problema, na vis&#227;o j&#225; cansada deste velho jornalista, n&#227;o &#233; de projeto gr&#225;fico ou editorial, mas de projeto de vida. De que forma a m&#237;dia impressa pretende sobreviver, se n&#227;o mudar seus conte&#250;dos, melhorar a qualidade dos seus textos, buscar novos leitores sem perder os antigos, se n&#227;o investir na forma&#231;&#227;o de profissionais de talento e reconstruir suas redes de sucursais e correspondentes, um fant&#225;stico celeiro de bons rep&#243;rteres? </content>
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